Estudo mostra que rotação de Vênus é mais lenta do que se acredita

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Comparando imagens captadas por duas sondas espaciais em momentos diferentes, pesquisadores europeus constataram que diversos elementos geográficos da superfície venusiana haviam mudado de posição. Apesar de estranho, os cientistas acreditam que o motivo é que Vênus gira mais devagar do que as medições anteriores mostravam.


Para chegarem a esta conclusão, os cientistas utilizaram imagens captadas recentemente pela sonda europeia Venus Express no comprimento de onda do infravermelho, que penetraram na densa atmosfera venusiana. Em seguida compararam as cenas com imagens registradas nos anos de 1990 pela nave norte-americana Magellan (Magalhães).

A comparação mostrou que algumas feições geográficas estavam deslocadas em cerca de 20 km do lugar onde deveriam estar.

Como as medições são bastante detalhadas, essa pequena discrepância deverá auxiliar os cientistas a determinar as características do núcleo planetário, principalmente se Vênus tem um núcleo sólido ou líquido.

Para os pesquisadores, se Vênus tem um núcleo sólido, a sua massa deve ser mais concentrada em direção ao centro. Neste caso, a rotação do planeta reagiria menos a forças externas.

A mais importante destas forças é a própria atmosfera do planeta, extremamente densa - mais de 90 vezes a pressão na Terra ou dos mais intensos sistemas meteorológicos de alta velocidade, que se acredita poderem alterar a taxa de rotação do planeta através de fricção com a superfície.

Na Terra
A Terra também experimenta um efeito semelhante, em grande parte causada pelos ventos e marés. Sob essa ação, o comprimento de um dia na Terra pode mudar em cerca de um milésimo de segundo e depende sazonalmente, com a mudança nos padrões de vento e temperaturas ao longo de um ano.

Em Vênus
Nos anos de 1980 e 1990, a sonda russa Venera e a norte-americana Magalhães fizeram detalhados mapas de radar da superfície de Vênus e nos forneceu a primeira visão detalhada deste mundo único e hostil.

Durante quatro anos, a Magalhães observou as características geológicas do planeta, fornecendo dados que permitiram aos cientistas a determinarem a duração do dia em Vênus, estabelecido atualmente como 243.0185 dias terrestres. .

No entanto, as feições superficiais registradas pela Venus Express 16 anos depois só podem ser alinhadas com as cenas captadas pela Magalhães se o comprimento do dia em Vênus for em média 6.5 minutos maior que o medido pela Magalhães. Esses números concordam com as mais recentes medições de longa duração feitas da Terra através de pulsos de radar.

Descartando Erros
"Quando os dois mapas não se alinharam, a primeira coisa que eu pensei é que havia um erro nos meus cálculos feitos com os dados da Magalhães, mas descartamos cada erro que poderíamos imaginar", disse Nils Müller, cientista planetário ligado ao Centro Aeroespacial da Alemanha e autor de um dos trabalhos que investigam a rotação de Vênus.

Outro pesquisador, Ozgur Karatekin, ligado ao Observatório Real da Bélgica, também levantou a possibilidade do erro ser devido à possíveis variações aleatórias de curto prazo e que pudessem ocorrer em um dia venusiano, mas concluiu que esse erro desapareceria nas análises de longo prazo, o que não ocorreu.

Outras possibilidades
Modelos atmosféricos mais recentes têm mostrado que o planeta poderia ter ciclos meteorológicos que ao longo de décadas influenciassem no período de rotação. Além disso, outros efeitos não podem ser descartados e estão sendo estudados, entre eles a troca de momento angular entre Vênus e Terra, notadamente quando os dois planetas se posicionam relativamente próximos entre si.

Foto: No topo, mapas topográficos de Vênus, captados pelas sondas Magalhães e Venus Express, permitiram detectar mudanças nas posições das feições geológicas do planeta. Em alguns casos, diferenças de até 20 km foram observadas. Crédito: NASA/JPL/Magellan/P. Ford/ESA/Venus Express/P. Drossart/G. Piccioni, Apolo11.com.

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